
Quer ir ao cinema com a namorada? Pegue o carro. Quer ir num bar e curtir com os amigos? Pegue o carro. Quer se aventurar sem hora e sem rumo? Pegue o carro. Quer fazer qualquer coisa que precise de um carro?
Tenha vários de cartões de moto-táxi na carteira! Eu explico.
Dezoito anos. Não só se atinge um estágio de maioridade, mas também dá direito a uma das fases mais aguardadas da vida. Quem não quer andar de carro sem depender dos outros? Meus irmãos, assim como em outras famílias, me levavam e buscavam quando eu precisava sair. Isso quando não revezava com os pais dos amigos, claro. Mas de qualquer forma, ser independente ao se locomover é algo que fica ainda mais forte quando se está perto dos 18 anos.
Na época era costume o pai ensinar o filho a dirigir antes de atingir a idade. Normal!
- Pai, me leva pra dirigir?
Quem nunca disse isso?
Como de praxe fiz o curso para aprender a teoria e depois aulas práticas. Durante as aulas práticas não tive maiores problemas por já saber dirigir. Não que eu era um expert, mas também não ficava confundindo freio com acelerador e essas coisas que são tão difíceis de acreditar! É, tem gente que confunde os pedais, acredite.
Tudo leva a crer que minhas aulas de direção foram tranquilas e, com muita sorte e segurança, passaria de primeira no exame prático.
Chegou o grande dia. Era fácil...eu teria que ligar o carro, sair de frente, fazer a baliza, dar uma risadinha pro delegado, depois garagem de frente e voltar de ré. Tudo bem, perfeito! Estava muito bem ensaiado. Quem passou por isso, diria que este é o maior desafio...pra mim não foi. Nos bastidores de todo este processo é que eu me ferrei.
Neste fabuloso dia da minha vida (e de muitas outras pessoas também), tive que aguardar uma fila imensa de pessoas na minha frente. Motivo? Meu nome começa com "R".
Tudo bem! Fiquei lá aguardando, conversando com as pessoas e...e...e...aguentando a minha dor de barriga. Eu não me lembro ao certo se eu já fui com dor de barriga ou fiquei durante a espera. Mas não importa...o importante é que eu precisava de um banheiro ou ficaria completamente tenso no exame. Depois de muito aguentar, resolvi ir ao banheiro.
Me deparei com um banheiro terrivelmente sujo e sem condições mínimas de uso, mas...ou era isso ou nada. Na boa, comecei a fazer o que eu tinha que fazer e pensei: "Onde tem papel? Preciso de papel pra me limpar!".
A real é que não tinha papel, eu tava todo melado, calça arriada, banheiro sujo e estava chegando no meu nome. O que fazer? Claro! Minha mente de publicitário é muito atuante. Abri minha carteira e saquei todos cartões de moto-táxi que eu tinha, afinal, não precisaria mais!
Tirei o excesso, arrumei as calças, ouvi meu nome sendo chamado e, quando estava saindo do banheiro gritei: "PRESENTE". Nesta hora todos olharam e perceberam o que eu tinha acabado de fazer! E também porque meu caminhar estava, como posso dizer...deslizante.
Enfim, fiz o exame completamente "deslizante", deixei marcas de uma mão suja no volante (não tinha água), ri pro delegado rindo de mim mesmo e fui embora...a pé! Cheguei tão rápido neste dia. Acho que é o tal do "deslizante".
--------------
Atendendo o pedido do Sr. Anônimo nos comentários:
Passei no exame! Com a bunda deslizante e tudo.
Quanto o aluno que pegou o carro depois de mim? Bom, pelo menos com mão fedida ele deve ter ficado!